Coisinhas que eu estava para falar fazia tempo

Sabe? Cheguei daquele hospital louca pra escrever alguma coisa, para dar um relato, mas me segurei porque eu estava tão sensível que achei que se escrevesse ia dar uma de bêbada ao telefone e falar algo que não soaria exatamente como eu gostaria que soasse (fosse lido, no caso).

É que operar “a barriga” é algo que deixa os sentidos tão aguçados quanto dar vazão á entrada de álcool pelas veias sanguíneas. Ao menos, pra mim. É que sou do tipo racional, que gosta de ponderar e analisar uma situação. Não sou chegada a agir por impulso não. Por experiência e essência fui moldando meu caráter assim (até comentei sobre isso com uma amiga nesta semana). Sempre chegada em sensações, dando um oizinho dleve pros sentimentões profundões. Sou dessas.

E eis-me aqui em frente do computador, uma semana depois, nesta quinta à noite, ouvindo Wicked Games do Cris Isaac porque amo esse climinha sensual da baladinha, amo essa praia, esse sépia, esse arzinho de lolita da Helena Christensen deixando o Cris babando e de pau duro no clipe (ops, falei pau duro).

Isso era outra coisa que queria dizer antes de continuar com a outra parte da história. Eu costumo me envolver em discussões feministas e refletindo por esses dias percebi que a coisa ainda é muito política, sabe? Tudo muito duro, muito frio, muito dissecado na palavra. E não pode ser só isso, gente. A coisa tem de ser mais fluida, tem de ser deixada ser (quis falar assim merrrmo) mais sexual.

Rita Lee escrevia e cantava sobre as delícias de transar com o cara que era o homão da porra dela, Roberto de Carvalho, e apanhava da trupe da moral e dos bons costumes por letras como a de “Lança-Perfume lá” nos anos 80:

“Vem cá meu bem me descola um carinho, eu sou neném só sossego com beijinho, vê se me dá o prazer de ter prazer comigo. Me aqueça! Me vira de ponta cabeça, me faz de gato e sapato, me deixa de quatro no ato, me enche amor, de amooooor!”

E o que noto nos anos dois mil e dezessete é que nós mulheres ainda falamos pouco sobre o assunto. Entre nós, quero dizer. Isso ficou claríssimo para mim quando me vi comentando sem barreiras com minha maravilhosa companheira de cela (ops, de enfermaria) as dores que eu sentia em certas posições por conta da minha endometriose (que foi o que operei). Isso porque ela sofria do mesmo problema e havia operado da mesma coisa. Nunca dantes na história deste país eu havia falado tão naturalmente sobre isso com amigas.

Afora o tempo que levei para me cuidar, mas isso não atribuo à falta de conhecimento ou de diálogo, mas à minha síndrome de Mulher Maravilha (só falava de dor quando não dava mais para esconder, some-se isso a um limiar de dor muito alto do meu organismo e já viu). E claro à preguiça e falta de tempo de passar por médicos antes de virar frila. Enfim, se eu posso dar um conselho é : se você é assim e descuida da saúde, “não seje”.  Não é porque você viu algo no exame que te desagradou que a coisa vai simplesmente sumir se você não der atenção.

E voltando à minha hipersensibilidade … era quinta-feira à noite… eu havia comido um lanche no pão francês na minha padaria de estimação…. eu estava sendo levada ao hospital por algumas das pessoas mais  mais mais queridas e amadas no mundo para mim, minha mãe, meu pai, meu namorado (meu olho enche de lágrima) … eu estava dando uma de eu to legal, tá tudo normal … eu estava dando entrada num hospital pela primeira vez e teria de dormir lá … eram duas da manhã e eu não conseguia dormir porque de repente tive medo de não acordar mais … Zeca Pagodinho estava no Bial e terminou o programa com a famosa do Noel “quando eu morrer não quero choro nem vela” … rindo porque o músico ao violão queria que ele pusesse mais alegria na gravação  :/… e eu ria também… era como eu me sentia… eu gosto de pôr humor em tudo … mas tava tensa!

Bom, não é que eu queira supervalorizar essa cirurgia não. Foi tudo bem… estou me recuperando hiper bem … recebi visitas maravilhosas da minha irmã, minha tia, minha vó, minha comadre, mensagens ótimas dos meus amiguitos … é que eu preciso escrever nessas horas … eu preciso escrever sempre na real … e queria escrever sobre como de repente, pela primeira vez na vida, tive medo de morrer e desse sentimento que brotou em mim sobre como eu sentiria saudades de quem eu amo e como eu do fundo do meu coração gostaria que eles ficassem todos bem.

Ah sim, naquela noite, fazendo um tour insone pelo youtube, não sei bem porque comecei a pesquisar sobre a Christie Brinkley, loira linda, uma das musas da Sports Illustrated , e descobri uns vídeos dela com a filhinha com o Billy Joel (não sabia que ela tinha sido casada com ele, até então). Me emocionei também, claro. Eu estava mexendo com meu útero física e emocionalmente.

Lembrei muito dos ensinamentos da Cema Santos, a coach pra quem trabalhei no ano passado. Não só o lance da gratidão pela vida, mas sobre o que se deixa para trás e o que se vê pela frente. Andei vendo vídeos da Juliana Góes também (se não conhecem, procurem sabe :), ela é youtuber  e tem uma história maravilhosa, a mudança de postura e até de voz desde que ela se tornou coach é patente  ao observar os vídeos novos e os antigos).

As duas falam bastante também sobre o perdão, que é um sentimento maravilhoso (quando real, forçado não te traz paz alguma). E o melhor perdão é aquele que você dá a si mesmo. Uma das frases mais marcantes que tenho levado pra vida desde que entrei em contato com esse universo é sobre você dar o melhor que tem naquele momento. Quantas vezes não olhei para trás e me questionei por que não havia feito melhor? Fiz isso naquela quinta-feira. A resposta é  porque talvez o melhor eu só possa fazer hoje ou talvez só lá na frente.

Sobre limpezas 

Depois de limpar o microcosmo do meu organismozinho, só desejo ao universo uma limpeza profunda da mesma maneira. Fora Temer, fora Trump. Espero que as hipocrisias só continuem vindo à tona e que vão embora como água no ralo.

Sobre chakras 

Sempre bom cuidar deles. Eu mexi no penúltimo de cima para baixo. Ah e tinha muito catarro na minha garganta na semana passada. Não à toa esse é o spiritual drive.

chakras_elemento

Sobre unicórnios

Estou virando um. Nunca pensei fazer um post assim meio transviado, meio nova era :).

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