Don’t face reality, let it be the place from which you leap/La vie n´est pas grande chose

A realidade é um lugar frio e apertado. Melhor escapar dela sempre que possível porque o sofrimento não pertence à fantasia.

Fico pensando nesses dias frios de chuva, vezes fina, vezes grossa, que Deus escolhe esse tempo para levar os escolhidos. Devaneio e acredito que não se morre em dias quentes e sim nos chuvosos, quando a natureza adianta-se em se fechar em cinzas de nuances geladas e derramar lágrimas por ela mesma, pouco antes que nós humanos o façamos.

Há duas semanas, no segundo feriado do mês, também numa segunda chuvosa, eu refletia sobre isso e pensava sobre escrever, mas deixei para depois porque é o que geralmente faço. Para mim a escrita é o equivalente aos meus dedos sobre uma espinha na testa. É a chance de expurgar um pus, mas posso me machucar.

Pensava eu sobre escrever sobre a morte e a chuva dada a ida precoce de um colega que morrera de leucemia. Fazia muito tempo que não falava com ele, mas lembrava da energia que tinha nos tempos de escola e que na época eu nunca pensei que iria embora tão cedo porque não pensamos que as pessoas jovens possam morrer. Não sei quanto a vocês, mas eu começo a aceitar o fato de que uma pessoa possa morrer depois que ela atinge 90 e olhe lá.

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Por enquanto, vou ficando sobre esse lugar chamado Terra e vendo gente conhecida ou distante partir. Num dia acordo com a notícia da morte de um time inteiro de futebol, de jornalistas, tripulação e tanta gente que não pensava em se despedir naquele voo e é inevitável pensar que um dia vou também.

Que a vida não é lá grande coisa.

A vida não oferece garantia nenhuma, bicho, mas a gente insiste em vivê-la como se não fosse morrer. Culpa dela exclusivamente, devo dizer, que manda essas coisinhas chatas para resolver dia após dia. A Dona Vida deveria ser mais complacente.

Bom … talvez a culpa seja do capitalismo, do socialismo ou do anarquismo ou do próprio ser humanismo que inventa os ismos para complicar, para dividir.

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Meu negócio nunca foi mesmo esse lance de hard news … vejo essas notícias e só consigo escrever depois de passado o primeiro baque. Obviamente, não trabalho em redação, portanto não preciso me preocupar com os instantâneos (nem no INSTAgram conseguia ser muito instantânea), mas a real é que vivo nesse processo de me desmembrar para me remontar. Vivo demais em retrospectiva e é na nostalgia que encontro o que pode ser a poesia da vida. Ou sei lá, essas bobagens que a gente escreve à meia-noite como se fosse grande coisa. Só sei que a gente nasce e a gente morre. Muitas vezes, nos despedimos de pessoas ainda em vida. Amigos vão e vêm, infelizmente. Não bastasse, ficamos aqui estupefatos levando esses sustos quando famílias estão sofrendo por conta desses desastres bizarros … quando aqueles que são jovens demais dão adeus … quando nosso ídolos vão morrendo um a um.

A gente fica, chora, observa, mas um dia vai também.

La vie c´est pas grande chose, n´est pas?

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